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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Uma Introdução à História




Uma Introdução à História



A primeira parte do livro tem como tema central a cientificidade da História, onde a mesma não teria esse caráter cientifico visto que os acontecimentos históricos são únicos e, portanto não se repetem, portanto por seu caráter não repetitivo, não seria passivo da lei. Collim Peterson, por exemplo, nega a existência de cientificidade em ciências factuais como a História, pois as “teorias que as integram se caracterizam por ter conseqüências que pela observação podem se falsificadas”.
Karl Max e Engels opondo-se ao positivismo de Peterson, afirma que a História pode ser plenamente científica a partir da busca pelas fontes repetitivas e invariáveis. Já Paul Vayne declara que apenas alguns acontecimentos da História são objeto da ciência e por isso seria obrigado a verificar os acontecimentos como um todo e não somente os adequados à explicação.
O que caracteriza um conhecimento como cientifico é que ele tenha que ser verdadeiro apesar de haver outras formas não cientificas de se fazer isso, porém a ciência não se baseia em nenhuma delas.
C. Cardoso afirma que uma concepção adequada ao que é uma ciência deveria conter os seguintes pontos: “1. A ciência e o conhecimento das leis da natureza e da sociedade, tendo como finalidade proporcionar uma representação mental e mais adequada possível dos processos que ocorrem objetivamente na natureza e na sociedade; 2. Método científico como forma de garantir o caráter objetivo do conhecimento; 3. O método teórico e o empírico; 4. O sujeito do processo de conhecimento científico não é individual e sim coletivo; 5. A ciência é histórica e, portanto falível.
A palavra História segundo o autor possui vários significados. Neste caso História como disciplina e história como prática social dos homens. A História como disciplina possui várias subdisciplinas e em cada uma delas ela possui significado e conotação específicos, por isso o termo Historia teria vários significados.
No século XVI, com a evolução da História como disciplina, houve uma preocupação muito grande com a autenticidade dos textos, “já que não é possível raciocinar em forma rigorosa a partir de uma documentação e um conjunto de dados falsos ou duvidosos”. Em contrapartida no final do século XVII houve um retrocesso em relação às concepções da Historia. No entanto, no século XVIII foi “particularmente brilhante no campo da teoria e das concepções da História mesmo se os meios metodológicos ainda insuficientes, então a disposição dos historiadores para o seu trabalho, tornavam prematuras algumas exigências feitas na época à disciplina História.”
No campo da teoria GianBattista Vico defende o caráter “cíclico” do desenvolvimento das sociedade humana, enquanto Voltaire mostrava a insuficiência de uma História voltada para o relato dos acontecimentos e a necessidade de uma História que a tornava explicativa. No século XIX a História triunfa no desenvolvimento de técnicas a serviço da crítica das fontes históricas juntamente com grande numero de publicação de coletâneas de documentos e no surgimento de escolas nacionais européias, por fim Marx e Engels propuseram o Materialismo Histórico como a primeira teoria coerente das sociedades, mesmo fora do mundo dos historiadores “oficiais”. Mas estes trabalhavam com a pesquisa erudita voltados apenas para o estabelecimento de fatos irrepetíveis, se mostrando imunes à Historia científica do marxismo.
O positivismo e o historicismo contribuíram para o progresso das técnicas e para um retrocesso quanto à construção histórica. Em nosso século a construção da história como ciência foram marcados até agora pela influência do marxismo e dos Annales.

O Método Científico em História

No final do século XIX e inicio do século XX “o conhecimento histórico se basearia na observação indireta dos fatos, através dos testemunhos conservados”. Marc Bloch diz que “as fontes são como as testemunhas: só “falam” utilmente se soubermos fazer-lhes as perguntas adequadas.
Para o processo de pesquisa é necessário conhecimento de heurística e de disciplinas auxiliares tais como: diplomática, filologia, sigilografia, paleografia, criptografia, epigrafia, papirologia, genealogia, heráldica e cronologia. Algumas passaram por um processo de avanço tecnológico muito grande, mas a lista se tornou muito extensa, assim não tem como um historiador dominar todas elas, por isso há um avanço de especialização entre os historiadores.
As operações analíticas do método histórico consistem em: crítica externa e interna dos testemunhos. Os métodos são ações realizadas para que se atinja um objetivo, e podem ser classificadas como a: quantificação, onde se percebeu uma manipulação do seu objeto em função das hipóteses adotadas, o método comparativo e a construção de modelos. O uso das hipóteses se divide em três tipos: proposições singulares, particulares ou existenciais e universais.
Os Passos das Pesquisas Históricas

Uma das finalidades do projeto de pesquisa consiste em convencer acerca da importância e da viabilidade que se deseja levar a cabo. O projeto deve conter partes como: formulação e justificação do tema; objeto; especificação do quadro teórico; formulação das hipóteses; tipologia das fontes; cronograma de execução; bibliografia. Quanto ao critério usado para a escolha do tema, existem quatro passos a seguir: o de relevância, de viabilidade, originalidade e o do interesse pessoal. A escolha desse tema requer um interesse por uma problemática ainda mal definida, despertada por leituras anteriores ou por experiências pessoais. Pierre Vilar indica três critérios para se delimitar uma teoria: um espaço, no tempo e no quadro institucional. Após a definição do tema o próximo passo é a construção do modelo teórico em função do qual serão enunciadas as hipóteses de trabalho que se procurarão comprovar, como não é possível ensinar ao estudante a formulação de hipótese o autor sugere três passos: ordenar e classificar os dados já disponíveis, a partir disso decidir que elementos serão levados em conta nas hipóteses e sondar a documentação a ser utilizada posteriormente para comprovação.
Na fase da coleta de dados as fontes assumem um papel de destaque, elas se constituem em pergaminhos, tijolos, tumulo, moedas etc. As classificações mais usuais das fontes históricas são: fontes primárias que se distingue das secundarias, e as escritas que se opõem as não escritas.
A fase de coleta é a mais longa do projeto de pesquisa. Os problemas fundamentais em relação às pesquisas apoiadas em fontes escritas são: “a localização dos acervos documentais; evitar a dispersão e a perda de tempo em manter um controle permanente e total sobre os materiais acumulados.
A fase crítica de elaboração de dados é a etapa da prova das hipóteses onde os dados serão criticados, avaliados, classificados, analisados, processados, e interpretados.
A síntese é a fase final do processo de pesquisa, havendo um retorno ao “geral”, agora com pleno conhecimento de seus componentes e suas relações, permitindo assim comprovação, correção ou abandono das hipóteses formuladas. A síntese depende do processo de pesquisa teórico e empírico, podendo se classificar de varias formas: sínteses estruturais, genéricas e dialéticas.
A redação serve para explicitar os resultados da pesquisa onde consta uma divisão: introdução, o corpo do texto e a conclusão.
As fontes e a bibliografia, dependendo de cada país, no começo após a introdução ou no final do trabalho.


CARDOSO, Ciro Flamarion S. Uma Introdução à História. Ed. brasiliense.UESC.







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