Ao chegarem às costas americanas os espanhóis começaram a sua ocupação, e este processo ocorreu em numerosas cidades, atos políticos formais, o marco institucional foi comum.
Inicialmente todas as cidades pareciam idênticas, mas as necessidades fizeram com que ao passar do tempo as diferenças surgissem. O território e a população caracterizaram a ocupação, e seus traços culturais surpreenderam e exigiu dos europeus certo tipo de conduta, mas, o que lhes causaram maior surpresa foi o descobrimento do mundo tropical, pois conheciam seus “produtos”, mas não seus lugares de origem.
Aqueles que aceitaram a missão de ocupar e fixar cidades nestes territórios não tinha uma idéia concreta de seus objetivos. Durante muito tempo a atitude adequada para os europeus era se apoderar da riqueza e regressar para suas origens, mas para isso era necessário dominar a população aborígene e adotar um determinado tipo de conduta: submetê-las para que servissem com a mão-de-obra ou protegê-las e evangelizá-las. Os europeus combinaram as duas e, para tal, utilizaram argumentos que para eles pareciam válidos, uma vitória sobre os infiéis.
A tomada do território foi total. Uma fundamentação jurídica e teológica, construída sobre montanhas de argumentos, mesmo os europeus não conhecendo todo o território foi uma posse intelectual, pois o repartiam sem conhecê-lo.
As numerosas cidades foram núcleos destinados a concentrar todos os recursos com o intuito de enfrentar a disputa pelo poder e também disputas étnicas e culturais.
As cidades construídas na América inicialmente eram fortes, pois os europeus tinham que enfrentar as lutas com os nativos e obstáculos naturais.
Os europeus necessitavam dos indígenas tanto para obter alimentos, quanto para encontrar as riquezas naturais existentes.
Eles necessitavam do indígena dominado, subjugado e benevolente, disto nasce a aculturação e a miscigenação e as cidades foram fundamentais para tal.
Os portos tiveram fundamental importância neste novo mundo para o comércio marítimo com a metrópole. Várias funções foram concentradas nos portos para assegurar o mecanismo monopolista, com o controle fiscal isso favoreceu o desenvolvimento de algumas cidades. As cidades-portos atraíam a cobiça dos piratas e corsários. Para evitar ataques, muitas delas foram cercadas por muralhas e possuíam castelos ou fortalezas por isso era foco de intensa atividade militar.
Para a construção das cidades eram observadas determinadas características como: posição alta e defensável, e nas regiões montanhosas um vau ou uma ponte: um cruzamento de caminhos. Algumas cidades foram erguidas sobre cidades indígenas. Outras foram construídas sobre povoados pequenos.
A vigorosa atração das zonas minerais provocou o aparecimento de cidades latino-americanas de características singulares. Alguns povoados indígenas foram determinados região tão importante quanto às cidades de estilo europeu como o México e Cuzco.
Os índios constituíram centros urbanos que se enquadravam dentro da concepção colonizadora. As formas de trabalho continuavam sendo as mesmas, mas as relações de dependência e a catequese religiosa atuavam lentamente sobre os índios, conduzindo-os a uma integração progressiva com os grupos espanhóis, ou melhor, a uma benévola aceitação da dependência.
A implantação física das cidades constituiu um esboço de um problema socioeconômico na área continental. Aqui predominavam pessoas de condição humilde, aventureira e ambiciosas. A America foi uma oportunidade ímpar para aqueles que buscavam a ascensão econômica e social. Apenas alguns poucos fidalgos vieram para América. O êxito consistia em adquirir riqueza com facilidade e dominar a maior quantidade de nativos. A Espanha e Portugal procuravam dissuadir a vinda de tais aventureiros e estimular a vinda de artesãos e comerciantes, mas essa política não teve êxito.
Mineiros, criadores de gado, plantadores, donos de engenhos negreiros e grandes comerciantes constituíram a aristocracia urbana originária. Junto a eles situavam-se a mais alta hierarquia eclesiástica e administrativa. Negociantes, pequenos negociantes e os funcionários de hierarquia média e inferior completavam o setor. E logo se incorporaram à cidade os índios que vinham voluntariamente e os que pareceram úteis para o serviço doméstico e as funções mais modestas da vida urbana.
Instrumento da ocupação territorial e da constituição de uma nova sociedade nesses territórios, as cidades latino-americanas da primeira época foram fundadas formalmente. Depois apareceram outras espontâneas, fruto de um processo externo que se origina do desejo dos conquistadores. Por este motivo, a fundação foi um ato político.
O ato político significava o propósito de ocupar a terra e afirmar o direito dos conquistadores. Ele era completado de diversas maneiras. A celebração de uma missa - como as que consagraram a cidade de Bogotá ou de São Paulo – ou a entronização de uma imagem - como a de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Enquanto isso se redige uma ata de fundação. No momento de traçar fisicamente a planta da cidade ergue-se no centro do que será a praça principal uma picota ou pelourinho, símbolo da justiça. O local não foi escolhido com o mesmo critério no Brasil e na América hispânica. No Brasil, houve preferência por lugares altos e fáceis de serem definidos ao passo que na América hispânica se optou em geral por lugares planos.
A partir de 1580 – quando Portugal se uniu à coroa espanhola – levava-se mais em conta as normas de regularidade que a Espanha impunha às suas colônias. Nestas, a regra foi o traçado em forma de tabuleiro de xadrez, em geral com quarteirões quadrados, e com uma praça aproximadamente no centro da planta, em torno da qual eram dispostos a igreja, o forte ou o palácio para a sede do governo e o cabildo ou prefeitura.
No entanto diversas circunstâncias permitiram introduzir alterações no projeto original. As ordens religiosas ou proprietários particulares puderam mudar de terrenos e usar os espaços baldios para fins diversos. A fundação foi quase sempre improvisada, feita com base em uma rápida apreciação de certas vantagens imediatas da situação geográfica e, sobretudo do local. Mas, de modo geral, a cidade foi erigida em território pouco conhecido. O certo é que, em muitas cidades, a experiência aconselhou uma mudança de local, que às vezes não passou de uma transferência de lugar geográfico.
Em alguns casos, como o de Vera Cruz, a cidade foi mudada duas vezes. Porém, em outros casos a incerteza foi mais prolongada. O exemplo mais extraordinário é, sem dúvida, o da instalação hispânica no vale de Catamarca, na Argentina, e os sucessivos traslados da cidade que recebeu o nome de Londres, fundada pela primeira vez, em 1558, quatro anos depois do casamento de Felipe II com Maria Tudor. A cidade mudou de lugar tantas vezes que o cronista Pedro Lozano a caracterizou no início do século XVIII como a quase “portátil cidade de Londres, que não se consegue assentar em lugar algum”.
Outras tantas cidades mudaram de lugar. Mem de Sá transferiu o Rio de Janeiro de sua posição fundação; e renovado parcialmente em Santiago de Guatemala, em 1717, por que nem todos os habitantes admitiram abandonar Antigua. Com a nova fundação a vida começava de novo.
Os Europeus consideravam-se detentores de toda cultura, religiosidade e conhecimento. Para eles o Novo Mundo deveria ser uma extensão da Europa não consideravam os nativos nem sua cultura. Impuseram sua religião, declaravam guerra aos infiéis, destruíram templos e cidades. Queriam apenas expandir, usurpar das riquezas. Justificava suas atitudes utilizando a religião como argumento. Para eles a América era um continente vazio, sem população e sem cultura. O vazio não era total com relação à população, porém dentro do sistema da idéia dos conquistadores, o escasso número e seu nível de civilização significava um valor desprezível, e quanto à cultura a sensação predominante foi decididamente negativa.
O ciclo das fundações é de modo preciso, o período do desenho do Novo Mundo, um mundo urbano e intercomunicado, como nunca fora anteriormente.

