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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ciclo das Fundações na América Latina

Ao chegarem às costas americanas os espanhóis começaram a sua ocupação, e este processo ocorreu em numerosas cidades, atos políticos formais, o marco institucional foi comum.

Inicialmente todas as cidades pareciam idênticas, mas as necessidades fizeram com que ao passar do tempo as diferenças surgissem. O território e a população caracterizaram a ocupação, e seus traços culturais surpreenderam e exigiu dos europeus certo tipo de conduta, mas, o que lhes causaram maior surpresa foi o descobrimento do mundo tropical, pois conheciam seus “produtos”, mas não seus lugares de origem.

Aqueles que aceitaram a missão de ocupar e fixar cidades nestes territórios não tinha uma idéia concreta de seus objetivos. Durante muito tempo a atitude adequada para os europeus era se apoderar da riqueza e regressar para suas origens, mas para isso era necessário dominar a população aborígene e adotar um determinado tipo de conduta: submetê-las para que servissem com a mão-de-obra ou protegê-las e evangelizá-las. Os europeus combinaram as duas e, para tal, utilizaram argumentos que para eles pareciam válidos, uma vitória sobre os infiéis.

A tomada do território foi total. Uma fundamentação jurídica e teológica, construída sobre montanhas de argumentos, mesmo os europeus não conhecendo todo o território foi uma posse intelectual, pois o repartiam sem conhecê-lo.

As numerosas cidades foram núcleos destinados a concentrar todos os recursos com o intuito de enfrentar a disputa pelo poder e também disputas étnicas e culturais.

As cidades construídas na América inicialmente eram fortes, pois os europeus tinham que enfrentar as lutas com os nativos e obstáculos naturais.

Os europeus necessitavam dos indígenas tanto para obter alimentos, quanto para encontrar as riquezas naturais existentes.

Eles necessitavam do indígena dominado, subjugado e benevolente, disto nasce a aculturação e a miscigenação e as cidades foram fundamentais para tal.

Os portos tiveram fundamental importância neste novo mundo para o comércio marítimo com a metrópole. Várias funções foram concentradas nos portos para assegurar o mecanismo monopolista, com o controle fiscal isso favoreceu o desenvolvimento de algumas cidades. As cidades-portos atraíam a cobiça dos piratas e corsários. Para evitar ataques, muitas delas foram cercadas por muralhas e possuíam castelos ou fortalezas por isso era foco de intensa atividade militar.

Para a construção das cidades eram observadas determinadas características como: posição alta e defensável, e nas regiões montanhosas um vau ou uma ponte: um cruzamento de caminhos. Algumas cidades foram erguidas sobre cidades indígenas. Outras foram construídas sobre povoados pequenos.

A vigorosa atração das zonas minerais provocou o aparecimento de cidades latino-americanas de características singulares. Alguns povoados indígenas foram determinados região tão importante quanto às cidades de estilo europeu como o México e Cuzco.

Os índios constituíram centros urbanos que se enquadravam dentro da concepção colonizadora. As formas de trabalho continuavam sendo as mesmas, mas as relações de dependência e a catequese religiosa atuavam lentamente sobre os índios, conduzindo-os a uma integração progressiva com os grupos espanhóis, ou melhor, a uma benévola aceitação da dependência.

A implantação física das cidades constituiu um esboço de um problema socioeconômico na área continental. Aqui predominavam pessoas de condição humilde, aventureira e ambiciosas. A America foi uma oportunidade ímpar para aqueles que buscavam a ascensão econômica e social. Apenas alguns poucos fidalgos vieram para América. O êxito consistia em adquirir riqueza com facilidade e dominar a maior quantidade de nativos. A Espanha e Portugal procuravam dissuadir a vinda de tais aventureiros e estimular a vinda de artesãos e comerciantes, mas essa política não teve êxito.

Mineiros, criadores de gado, plantadores, donos de engenhos negreiros e grandes comerciantes constituíram a aristocracia urbana originária. Junto a eles situavam-se a mais alta hierarquia eclesiástica e administrativa. Negociantes, pequenos negociantes e os funcionários de hierarquia média e inferior completavam o setor. E logo se incorporaram à cidade os índios que vinham voluntariamente e os que pareceram úteis para o serviço doméstico e as funções mais modestas da vida urbana.

Instrumento da ocupação territorial e da constituição de uma nova sociedade nesses territórios, as cidades latino-americanas da primeira época foram fundadas formalmente. Depois apareceram outras espontâneas, fruto de um processo externo que se origina do desejo dos conquistadores. Por este motivo, a fundação foi um ato político.

O ato político significava o propósito de ocupar a terra e afirmar o direito dos conquistadores. Ele era completado de diversas maneiras. A celebração de uma missa - como as que consagraram a cidade de Bogotá ou de São Paulo – ou a entronização de uma imagem - como a de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Enquanto isso se redige uma ata de fundação. No momento de traçar fisicamente a planta da cidade ergue-se no centro do que será a praça principal uma picota ou pelourinho, símbolo da justiça. O local não foi escolhido com o mesmo critério no Brasil e na América hispânica. No Brasil, houve preferência por lugares altos e fáceis de serem definidos ao passo que na América hispânica se optou em geral por lugares planos.

A partir de 1580 – quando Portugal se uniu à coroa espanhola – levava-se mais em conta as normas de regularidade que a Espanha impunha às suas colônias. Nestas, a regra foi o traçado em forma de tabuleiro de xadrez, em geral com quarteirões quadrados, e com uma praça aproximadamente no centro da planta, em torno da qual eram dispostos a igreja, o forte ou o palácio para a sede do governo e o cabildo ou prefeitura.

No entanto diversas circunstâncias permitiram introduzir alterações no projeto original. As ordens religiosas ou proprietários particulares puderam mudar de terrenos e usar os espaços baldios para fins diversos. A fundação foi quase sempre improvisada, feita com base em uma rápida apreciação de certas vantagens imediatas da situação geográfica e, sobretudo do local. Mas, de modo geral, a cidade foi erigida em território pouco conhecido. O certo é que, em muitas cidades, a experiência aconselhou uma mudança de local, que às vezes não passou de uma transferência de lugar geográfico.

Em alguns casos, como o de Vera Cruz, a cidade foi mudada duas vezes. Porém, em outros casos a incerteza foi mais prolongada. O exemplo mais extraordinário é, sem dúvida, o da instalação hispânica no vale de Catamarca, na Argentina, e os sucessivos traslados da cidade que recebeu o nome de Londres, fundada pela primeira vez, em 1558, quatro anos depois do casamento de Felipe II com Maria Tudor. A cidade mudou de lugar tantas vezes que o cronista Pedro Lozano a caracterizou no início do século XVIII como a quase “portátil cidade de Londres, que não se consegue assentar em lugar algum”.

Outras tantas cidades mudaram de lugar. Mem de Sá transferiu o Rio de Janeiro de sua posição fundação; e renovado parcialmente em Santiago de Guatemala, em 1717, por que nem todos os habitantes admitiram abandonar Antigua. Com a nova fundação a vida começava de novo.

Os Europeus consideravam-se detentores de toda cultura, religiosidade e conhecimento. Para eles o Novo Mundo deveria ser uma extensão da Europa não consideravam os nativos nem sua cultura. Impuseram sua religião, declaravam guerra aos infiéis, destruíram templos e cidades. Queriam apenas expandir, usurpar das riquezas. Justificava suas atitudes utilizando a religião como argumento. Para eles a América era um continente vazio, sem população e sem cultura. O vazio não era total com relação à população, porém dentro do sistema da idéia dos conquistadores, o escasso número e seu nível de civilização significava um valor desprezível, e quanto à cultura a sensação predominante foi decididamente negativa.

O ciclo das fundações é de modo preciso, o período do desenho do Novo Mundo, um mundo urbano e intercomunicado, como nunca fora anteriormente.

3 palpites:

Magaly M. disse...

É isso aí!

selmex disse...

Diante de toda essa dominação causada pelos europeus, estavm as resistências dos nativos, que de uma forma ou de outra causou espanto para os colonizadores.Com isso eles não contavam quando iniciaram a destruição de suas culturas.

Joelma disse...

Todos os países latino-americanos sofreram muito com o processo de colonização. Os colonizadores tentaram implantar a sua cultura e exterminar a cultura dos nativos. O eurocentrismo foi utilizado durante toda colonização para justificar a exploração nas novas terras. Ainda hoje, o eurocentrismo exibe traços para diferenciar as enormes diferenças sociais e culturais existentes entre os países europeus e os países latino-americanos.

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