A influência da Música na Ditadura Militar Brasileira
A música sempre foi uma maneira de expressão dos sentimentos ao longo da história humana. Através dela, pessoas uniram-se, professaram e divulgaram suas concepções ideológicas e anseios.
Cantar e tocar têm o poder de despertar sentimentos contraditórios, porém comoventes que provoca a vontade de experimentar, sentir e viver. E foi através dessa força que a música tem que uma nova era na história da música começou e penetrou na vida das pessoas através de cantores e escritores, bem como de estilos de canto, de modo a protestar contra o regime militar e a repressão política, evidenciando a insatisfação inicialmente da juventude politizada e depois da sociedade mobilizada por essa juventude.
Esse período despertou em várias camadas da sociedade a ânsia de ter uma vida politicamente ativa. É nesse momento que os movimentos estudantis tornam-se extremamente evidentes, a exemplo da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de outras frentes de mobilização como a do operariado e dos agricultores. O teatro também teve suas atividades intensificadas dando às suas produções um caráter mais nacionalista.
Mais do que qualquer outra manifestação cultural, a música teve importante papel naquele momento, e se intensificou ainda mais com o Ato Institucional nº 5, considerado naquele momento como um golpe dentro do golpe, decretado no final de 1968. A partir de então a música popular brasileira teve um recrudescimento, onde com a existência, nessa época, do sistema elétrico de gravação e a consolidação do processo da indústria fonográfica e da televisão proporcionou, a essa manifestação cultural, tamanha magnitude.
O advento da televisão serviu também para popularizar a música, como a Bossa Nova, por exemplo. A Bossa Nova, não era um movimento de protesto, mas foi um dos movimentos que vieram para incrementar o meio musical, porém ela era apenas divulgada em circuitos fechados. Com a popularização da televisão veio o aumento da audiência musical por todos os segmentos com os chamados programas de Festivais, organizados pela TV Record, que consagrou nomes como Francisco Buarque de Holanda e Geraldo Vandré. Os meios de comunicação ligados ao regime também passaram a divulgar nomes sem engajamento político com a Jovem Guarda, pois não ameaçavam o poder do regime militar.
A música como forma de protesto passou a despertar grande interesse do governo, pois esta se tornara francamente hostil ao regime, sofrendo censura. Tudo que se produzia naquela época era revisado. Antes de serem publicadas, muitas produções sofriam censura na íntegra, outras eram parcialmente cortadas. Por causa disso, cantores e compositores passaram a usar de subterfúgios para driblar a censura, fazendo uso, por exemplo, de metáforas, que foram amplamente utilizadas por quem queria transmitir sua mensagem de necessidade de novos valores ideológicos ao público.
Mas mesmo usando de recursos sutis para esse conclame muitos compositores viram-se pressionados pela censura que só permitiam a divulgação na íntegra das músicas caso elas fossem elogiosas ao governo ou não tivessem algo que fosse considerado impróprio pelo órgão censório.
A censura musical pela “moral e os bons costumes” não foi criada pela ditadura militar, pois ela já era uma aplicação legal desde 1934, mas foi adaptada pela ditadura de acordo com as suas necessidades. Nesse período ela instaurou a censura prévia nas áreas de diversões públicas como o teatro, a TV, o cinema, a música e universidades, tendo a sua atuação apenas em nível regional. Isto foi modificado de acordo com a construção de uma legislação que adaptou a censura às novas necessidades do regime. Desde então a atuação censória regional, a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) passou a ser subordinada à centralização censória federal, o Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), isso facilitava a vida artística que necessitava apenas de uma liberação para a divulgação de suas músicas, válida nacionalmente.
Essa centralização foi sugerida pelo chefe do Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP), mas os órgãos censórios regionais não gostaram dessa subordinação alegando que essa centralização traria problemas, pois nem tudo que serve para um estado serviria para outro. O fato é que a censura regional não queria perder sua autonomia em censurar, independente da opinião da censura federal. Mas a censura federal acabou por se isolar em Brasília deixando de ser possível assim acabar com a censura regional.
A censura não ficou somente na área de diversões públicas, mas abrangeram também outras áreas deixando muitos sem poder expressar suas opiniões. Assim o povo caiu na clandestinidade, fazendo surgir grupos armados que se organizavam como pequenos exércitos populares. Outros “lutavam” contra o regime ditatorial sem o uso das armas, através da diplomacia, pois achavam ser possível a redemocratização sem a luta armada.
No meio musical também houve os que confrontaram diretamente a repressão ditatorial e os que, como já mencionado, usavam recursos de linguagem para denunciá-la, sendo ambos reprimidos pela censura.
A análise prévia pelas quais a música sofria era feita com a colaboração do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e os demais órgãos censórios regionais. Quando o artista tinha as suas letras consideradas subversivas ele passava a ser vigiado pelo DOPS.
Muitos artistas tiveram as suas letras vetadas integralmente por mencionarem sexo, drogas, homossexualismo, movimento hippie, conterem erros gramaticais e assuntos muito discutidos na época como o divórcio, sob o discurso de defesa da religião católica e dos valores tradicionais da família brasileira, e, por serem consideradas inadequadas e de péssima qualidade musical.
Durante a vigência do regime repressor ditatorial, muitos nomes ficaram conhecidos por suas letras de protesto, quer seja ela clara ou quer seja ela através de metáforas. Chico Buarque com sua música Cálice consegue burlar a censura e a compõe com críticas veladas e ao mesmo tempo tão claras, à ditadura. Já Odair José não teve a mesma sorte na composição de Em qualquer lugar, pois mesmo reescrevendo-a após ter sido censurada, ela foi novamente vetada, pois o órgão censório alegou que a mesma exaltava o amor livre. Muitos artistas não tiveram a “sorte” de terem apenas a letra de sua música vetada. Alguns deles foram interrogados, aterrorizados e exilados.
Outros nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso também se destacaram no cenário nacional fazendo parte de um movimento chamado Tropicália. Esse movimento teve um caráter inovador, pois misturava diferentes estilos musicais, além de usar guitarras elétricas em sua composição. Isso deu uma nova roupagem à música popular brasileira. Algum tempo depois Caetano e Gil foram presos pelo regime e exilados na Inglaterra, sob a alegação de que teriam escrito versos ofensivos aos militares.
Mesmo tendo durado até alguns anos após o fim da ditadura militar, a censura de diversão pública continuou com o seu trabalho de veto, mesmo tendo diminuído consideravelmente a quantidade de vetos. Com a extinção da DCDP em 1988 a censura passou a fazer parte do Ministério da Educação com caráter apenas classificatório.
A música, como vimos, em suas várias formas, teve grande influência no comportamento da sociedade brasileira durante a vigência do regime militar. Dessa forma percebe-se que, a maior parte das produções artísticas mostrava a influência do protesto e influenciavam beneficamente, levando as pessoas a uma mobilização social para além do divertimento. Todas essas criações serviram para unir a sociedade e não deixá-la à mercê dos “protetores da família brasileira”.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
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3 palpites:
afffff cadê a letra?
muito bom
olha voçê explica muito bem e explica muito bem também,mas a bossa nova foi sim um método para protesto contra a ditadura,e foi um método para avisar sobre a ditadura também tanto que varios atores foram mortos e varias músicas foram repreendidas
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